21/07/2007

REFLEXOS


Muros!

Viscosos musgos, enleiam
espelhos de linguagem,
sobre a mística
falésia verbal, a prumo,
desnegando verdades.
Vazio do preenchimento?
Pardas horas, cogitando o passo seguinte.
Talvez…
Não faz mal,
a flor suporta bem,
os pesos do amanhã.
Circular, é o horizonte,
sentado em trono de oiro,
Em cima única nuvem,
murmurando ,
chorosas e antigas causas .
O olhar da estátua,
endurecera com os anos,
observando o vai e vem Humano.
A menina,
olhara o vazio abismal,
concluindo ser um rio
sem nascente nem foz.
Sorrira,
saciada de incertezas,
enrolando-se aconchegada,
na nitidez de súbitos silêncios.

Um dia…
A chuva cairá verticalmente.

11/07/2007

RUMO AO "PURGATÓRIO"



Esta pretensa frivolidade da Imprensa, seja masculina ou feminina, ela é recreativa, educativa, coerciva, é "inn", ou como ela própria se autointitula, " prática, bem disposta e simpática". Esta Imprensa transporta em si em permanência duas contraditórias cousas: a beleza, a forma, o prazer está aí ao alcance de todos desde que dispostos a pagar, mas ai daqueles que o não fizerem, serão os únicos responsáveis pelo seu envelhecer, pela sua fealdade, co-autores da sua desgraça.

O lado Democrático da cousa, sim, porque a Democracia não é perfeita, mas é o melhor que nós temos, repetem-nos os actuais políticos, até à exaustão. O Democrático lado, dizia, é o de que ninguém é condenado pelos seus imperfeitos atributos, deixa de ser uma fatalidade da Natureza; e tal qual a vida nos mostra até à saciedade, podem fazer ainda melhor, ao menor relaxe serão empurrados para o purgatório dos idiotas, barrigudos, dos frígidos.
Um exemplo:
Uma revista "Saúde/Homem" como sugere o nome, é destinada aos Machos, contém os seguintes artigos:

. Cinco truques para emagrecer com inteligência...
. Como conservar a sua libido em perfeito estado...
. Como manter o acto sexual mais de 3 minutos...
. Como sair vivo de um desastre aéreo...
. Como sobreviver a uma crise cardíaca...
. Como fazer amor até ao último dia... e etc...

Parecem existir aqui, laivos de algum humor, mas dá para perceber que este " trolóló de boca", origina terríveis pesadelos.

Esta Imprensa dita ligeira, é terrívelmente severa e nunca se cansa em fervilhar páginas atrás de páginas com os imperativos discretos, mas pesados.

Não basta a oferta constante de modelos de homens e mulheres, cada vez mais jovens, mais perfeitos, famosos, sugerem também um tácito acordo: se fizeres o que eu te digo, talvez te aproximes daqueles sublimes seres. Actuam junto dos medos naturais do envelhecer, engordar, desfear, acalmando-os para os despertar.

A intenção desta gente não é inocente, exausta e repetitivamente, repetem um qualquer conceito para virar lei. Mas "a lei" tem falhas.
Como ainda agora vimos com a Justiça Portuguesa, ao ilibar alguém que mandara matar a mulher, reconhecendo uma falha na lei.




10/07/2007

Millôr 3

Definitivo, meio a meio
Este livro foi publicado há aproximadamente 10 anos. O título era sacanamente ambíguo. Como me é próprio. Definitivo de definição, e definitivo tipo: "Pronto, o Millôr falou, tá falado".
O livro vendeu, metade por uma coisa, metade pela outra, metade não sei por quê. Três metades. Que outro livro vendeu tanto?
Agora a LPM, sem alterar o conteúdo, acrescenta algumas frases, muda o desenho da capa, e assim iniciamos mais uma década. O tempo marcha. E muitos até insistem que voa.
Mais de cinco mil frases? Como se faz isso? Pensando o tempo todo em fazer frases? Não senhores, tenho mais o que fazer. Por exemplo, hai-kais, fábulas, sacanagens gráficas, desenhos de meu nome (tenho um nome a zelar) e o que mais.
São décadas (não digo quantas) disso. Mais de 400 hai-kais (te cuida, Bashô!), mais de 300 fábulas (roda na campa, La Fontaine!), mas, ressalto, nenhuma delas com moral convencional. Já que a moral convencional defende, como lhe é próprio, as convenções. Não estou nem aí.
Que pretendo dizer? Sei lá. Só peço que não me olhem como um pensador, ou pior, como um erudito. Sou um existencial. Sem ser um existencialista.
Mas não pensem em mim para badalações, neuroses coletivas, falações cultas para multidões boquiabertas. Pensem em mim para o/s prazer/es calmo/s da vida.Mas também pro que der e vier. Sobretudo o contrário.
Millôr
Minha homenagem a um dos Grandes utilizadores da Lingua Portuguesa,
fica aqui registada.
Kimang

03/07/2007

Daily Millôr

"Cuidado! Mais dia, menos dia, acaba o dia a dia."




Do Blogue do Millôr,

e com a devida vénia.