27/06/2009

TIRANIA DOS VALORES

Karl Person

Dúvidas firmes, incertezas absolutas, sou um Durão, olho só em frente que de frequente, me torno ausente não de mim, mas dos outros. Minha aprendizagem foi assim: carente de toque. Mais tarde busquei, ainda, Escola de Carência, não encontrei. Não constava dos Curriculares, nem nos Académicos.
A máquina ganhou forma em mim, a mecanicidade de controlar o todo com a mínima parte ( Eu ). Tudo o que sou, devo o à máquina, tal como esta indiferença pela morte da carne humana, a Estatística – a nova certa ciência- os Números, a minha nova religião.
Tenho poderosa arma e esgrimo a na ponta do olho mecânico: a regularidade linear das páginas de Normas na uniformidade visual da letra impressa, induzo, induzindo realizo me deus, nos pesos e medidas.
Ser circunferência em toda a parte, princípio e fim no mesmo lugar, o centro em parte alguma, no oco sem fim, tipo tirania desumanizadora, produzo mensagens vazadas em símbolos fonéticos, seriados, a fonte humana individual , renego a , prefiro a capacidade técnica e não a consciência da maneira como adquirimos conhecimento, aliás o grande inimigo a abater.
Acumular “sem preconceitos” os factos brutos, está inscrito nos panteões e bandeiras da minha matriz governativa.


19/06/2009

Rotina retórico-ideológica


Na doce ciência da murraça, espero uma chegada, um regresso.
Aquiles será compatível com a pólvora e os neutrões?
No entanto a poesia , dá a sensação de franquear impetuosamente a temporalidade, conquistar o signo verbal.
Se me destruo é porque não há lugar para mim. E eis que choro como uma criança, tão cheio de vida é este mal.
Máquina paradoxo, grávida do próprio ressoo, do duplo espaço branco.
Vazar os muros cronológicos, do estático e homogéneo, a intenção sublime de confrontar o ópio alienado dos ileteratos, ser se uma alma no mundo.

Pergunta mansa e expectante:

Se aprendo silabando o ler e interpretar, os meus olhos ficarão apartados da plenitude imediata de ver?
O inferno é a visão de uma viagem, tesouro de artifícios, na realidade, a cisterna retém, a nascente transborda.
Não se morre de dor: esse o vil castigo.
Somos vasos de carne e osso e o poema dá nos um Narciso que se nega a si mesmo, na realidade os ácidos corroem os vasos que os contêm. Porque não? Já se colhem flores no Inverno.

No tempo do “tempo de antes” não havia tempo, refugiado em coisas que não sou, apavora me de vir a ser, assim como um sonho hermético que nunca acorda, na realidade foram dois burgueses que falaram de comunismo.

Este esforço de transpor para o som da voz o som das coisas será o tal mítico cantar da sereia?

Concentro me no campo semântico que na sua estratégia de ir e vir é sempre mais lento e sinuoso que a percepção visual.
Uma esperança de nos escutarmos poetando todas as fases, fenda radical de onde brota o sujeito, está a dor!
A metáfora é só experiência calada?
E o texto narrativo , só lembranças e sonhos?

Se calhar, tão somente a necessidade de amarrar nos fios do alegórico, o nó existencial recorrente, nos insolúveis caminhos, na realidade, o cânon literário é o passado a reger o presente; chegados aqui podemos verter algumas lágrimas nostálgicas.
A Razão assumindo as milenares funções da religião e arte… huuumm… não acredito.
Proliferam os signos em toda a parte e tempo, mas cadê? a jornada inesquecível da experiência, geradora de significados.

05/06/2009

Multiplos Orgasmofiscais





...o acordar já é uma aurora deslumbrante, pois que o pensamento já sabe da ida à Repartição de Finanças. No caminho para lá, chilreio e aos saltinhos felizes e esvoaçantes, o meu coração anseia pelo excelso encontro.

O paraíso ( fiscal) é já aqui.

Mesmo o edíficio é lindo, cinza cor, tem brilhos inusitados e uma aura envolvente, me chama contribuintemente.
...depois no contacto visual e sensitivo dos barulhinhos electrónicos numerados, melodiosos, chamam por nós; ao décimo terceiro "tlim dlom" ocorrem os almejados orgásticos fiscalizados prazeres.

Ali tenho uma identidade, não me sinto só, sou um ser pleno e realizado, no seio deste calor humano dentro e fora destes balcões os odores e impaciências acomodam se.
Quase na hora de despedida desta reconfortante divinal situação, meu coração, aperta se, por não saber da certeza do meu retorno a esta " Mãe" casa.
Tenho como ideal aumentar as minhas vindas a este paraíso fiscal, este sim o verdadeiro e palpável.